sábado, 22 de outubro de 2016

Charadas



Charadas
Escolher
O que falar
O que
Pensar
E o que fazer.

Escolher
O que sonhar
O que
Querer
E o que plantar.

Escolho
Não falar
Não pensar
E nada fazer.

Escolho
Não sonhar
Não querer
E nada plantar.

Quando Falei,
Pensei
No que fazer
Quando fala,
Plantei o
Que queria.

Mas nisso tudo
Perdi tempo
E
Vida passou rápido

Quando não falei
Não pensei
Nada
Fiz
E nada colhi.

Quando não sonhei
Nada quis,
Nada plantei
Apenas escolhi.

Mas nisso tudo,
Paz e
Vida
Eu encontrei!

Mauro Henrique Soares Aniceto 09/01/2013

sábado, 15 de outubro de 2016

Aqui Jaz



Aqui Jaz


Quando imaginaria que ele viria
Que o tempo passaria e a pupila dilataria
Que o sol nasceria e depois morreria
Quando, mas quando isso aconteceria?

O tempo passou e o ferro se corroeu,
A pele se enrugou e o velho chegou
Aquele jovem o tempo levou.


A maresia consumiu o aço,
O tabaco enforcou o pulmão no braço.
O pião caiu de joelho no laço
A juventude se foi com o Baco.

 Aqui jaz
O cadáver daquele habitador,
Que viveu como um alienado
Deixando aqui, todo seu sonho algemado.



Mauro Henrique S.A

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Na Rua Sem Casa Na Casa Sem Número







Na Rua Sem Casa Na Casa Sem Número

Na rua sem casa
só existe espaço vazio,
as flores florescem
com perfumes  desiguais.
As moradias aqui são:
são moradas dos senhores
de chapéu ,
homens que
não amam
 nem em noites
de lua de mel.
Aqui as matas
virgens,
viram fantasias
que morrem,
depois que passa o esperado carnaval.

Já na casa sem número,
aonde o filtro ainda
é de barro,
minha linda avozinha,
cozinha em seu
fogão a lenha,
a galinha
que nasceu,
cresceu e morreu
em seu quintal.

E é aqui na casa sem
Número,
Que lhe pergunto:
-  É possível sonhar acordado,
ou todo sonho é livre e imaginário? -

Piscar, sorrir, andar, falar.
Cantar, gritar, correr, pular.
Voar, cair, levantar, seguir.
Todos os verbos são ruídos
nessa pequenina casinha.
 
Os adjetivos são ativos
enquanto os substantivos são
feito de metáforas.
Tipo:
Margarida não expressa
seu real significado, 
ela aqui,  é nome de tia.
Passarinho não é pássaro,
é nome de vinho barato.
O trem, não, não é trem,
é qualquer trem que não
seja o trem da linha de ferro.
Lampião é moço do sertão
e Maria, é da religião
e não tem nada haver
com bonita.
Bonito mesmo,
são os verso de todas as canções,
que tocam na vitrola do meu avozinho.

Pois só na rua da Casa Sem Numero,
Dia é noite, e noite é dia.
E alegria,
é mais que uma churrasqueira.

Fico pensando na rua sem casa,
aonde a porta tem fechadura
que permite a invasão.
Ali não tem carinho,
tudo lá é vazio e solidão.
Mesmo não tendo nenhuma
casa.
Pois tem aquele homem
que sempre anda com
o seu chicote nas mãos,
olhando dentro do nosso
coração.

Confesso não querer
pensar nessa casa,
mas penso nas pessoas
que moram lá dentro.
Presos e sem direito
 se que de irem até o portão,
laçado  pelo o problema
do mau.
Pois lá os anjos são rebeldes
e tudo leva a destruição.
Ruínas são os sons,
que se ouve de lá de dentro,
muito barulho de quebradeira mesmo.
Pois os pássaros lá,
logo canta de longe:
- Que bem já viu,
aquele que um dia partiu.

Por quê será que o que tem
aqui na Casa Sem Numero,
não tem do lado de lá?
Pois lá parece ter tudo que
tem por cá.
Pois aqui existem homens
de chapéu, chicotes, solidão e tristeza,
mas nada aqui se compara com
o vazio que se tem por lá.
Até o Bem te vi aqui,
canta :
- Bem te vi, bem te vi,
 e tristeza ,
não passa por aqui.

Só no encontro que ocorre,
Na Rua Sem Casa Na Casa Sem Número
que encontro o desencontro
entre uma viagem e outras.

Mauro Henrique Soares 06/05/16
Ouro Preto -MG