sexta-feira, 6 de maio de 2016

Na Rua Sem Casa Na Casa Sem Número







Na Rua Sem Casa Na Casa Sem Número

Na rua sem casa
só existe espaço vazio,
as flores florescem
com perfumes  desiguais.
As moradias aqui são:
são moradas dos senhores
de chapéu ,
homens que
não amam
 nem em noites
de lua de mel.
Aqui as matas
virgens,
viram fantasias
que morrem,
depois que passa o esperado carnaval.

Já na casa sem número,
aonde o filtro ainda
é de barro,
minha linda avozinha,
cozinha em seu
fogão a lenha,
a galinha
que nasceu,
cresceu e morreu
em seu quintal.

E é aqui na casa sem
Número,
Que lhe pergunto:
-  É possível sonhar acordado,
ou todo sonho é livre e imaginário? -

Piscar, sorrir, andar, falar.
Cantar, gritar, correr, pular.
Voar, cair, levantar, seguir.
Todos os verbos são ruídos
nessa pequenina casinha.
 
Os adjetivos são ativos
enquanto os substantivos são
feito de metáforas.
Tipo:
Margarida não expressa
seu real significado, 
ela aqui,  é nome de tia.
Passarinho não é pássaro,
é nome de vinho barato.
O trem, não, não é trem,
é qualquer trem que não
seja o trem da linha de ferro.
Lampião é moço do sertão
e Maria, é da religião
e não tem nada haver
com bonita.
Bonito mesmo,
são os verso de todas as canções,
que tocam na vitrola do meu avozinho.

Pois só na rua da Casa Sem Numero,
Dia é noite, e noite é dia.
E alegria,
é mais que uma churrasqueira.

Fico pensando na rua sem casa,
aonde a porta tem fechadura
que permite a invasão.
Ali não tem carinho,
tudo lá é vazio e solidão.
Mesmo não tendo nenhuma
casa.
Pois tem aquele homem
que sempre anda com
o seu chicote nas mãos,
olhando dentro do nosso
coração.

Confesso não querer
pensar nessa casa,
mas penso nas pessoas
que moram lá dentro.
Presos e sem direito
 se que de irem até o portão,
laçado  pelo o problema
do mau.
Pois lá os anjos são rebeldes
e tudo leva a destruição.
Ruínas são os sons,
que se ouve de lá de dentro,
muito barulho de quebradeira mesmo.
Pois os pássaros lá,
logo canta de longe:
- Que bem já viu,
aquele que um dia partiu.

Por quê será que o que tem
aqui na Casa Sem Numero,
não tem do lado de lá?
Pois lá parece ter tudo que
tem por cá.
Pois aqui existem homens
de chapéu, chicotes, solidão e tristeza,
mas nada aqui se compara com
o vazio que se tem por lá.
Até o Bem te vi aqui,
canta :
- Bem te vi, bem te vi,
 e tristeza ,
não passa por aqui.

Só no encontro que ocorre,
Na Rua Sem Casa Na Casa Sem Número
que encontro o desencontro
entre uma viagem e outras.

Mauro Henrique Soares 06/05/16
Ouro Preto -MG


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